O aterramento de placa solar é o conjunto de conexões elétricas que liga as partes metálicas do sistema fotovoltaico ao solo, criando um caminho seguro para que correntes elétricas indesejadas (descargas atmosféricas, surtos da rede ou falhas internas) sejam dissipadas no terreno em vez de circular pelos equipamentos ou pelas pessoas.
Em outras palavras, o aterramento é a barreira de proteção que evita choques elétricos, queima de inversores e módulos, riscos de incêndio e perda de garantia dos equipamentos.
Mais do que uma medida de segurança, o aterramento é uma exigência técnica prevista nas normas brasileiras NBR 5410 (instalações elétricas de baixa tensão) e NBR 16690 (sistemas fotovoltaicos).
Sem ele, o projeto não é homologado pela concessionária e o sistema fica vulnerável a falhas que comprometem sua durabilidade, que pode passar de 25 anos quando bem projetado e instalado.
Por que o aterramento da placa solar é obrigatório?
O aterramento de placa solar protege pessoas e equipamentos contra choques e descargas elétricas. Ele cria um caminho de baixa impedância para que correntes inesperadas sejam dissipadas no solo, o que impede danos físicos e materiais.
Na prática, o aterramento evita, por exemplo, que, em caso de raios ou variações na rede elétrica, a corrente excedente comprometa inversores e módulos. Com o aterramento, essa corrente é direcionada ao solo e preserva toda a instalação.
A obrigatoriedade do aterramento em sistemas fotovoltaicos está prevista em um conjunto de normas técnicas brasileiras. A ABNT NBR 16690 define requisitos específicos de aterramento e equipotencialização para arranjos fotovoltaicos.
A NBR 5410 regula instalações elétricas de baixa tensão, incluindo a parte em corrente alternada dos sistemas solares. Já a NBR 5419 trata da proteção contra descargas atmosféricas, e a NBR 15749 trata da medição da resistência de aterramento.
O que exatamente deve ser aterrado no sistema fotovoltaico?
No aterramento de energia solar, devem ser conectadas as molduras metálicas dos painéis, os trilhos de fixação, a carcaça do inversor e outros componentes metálicos do sistema.
Isso acontece porque o aterramento não é um ponto isolado, mas um conjunto que garante a condução segura de correntes elétricas indesejadas.
- Molduras metálicas dos painéis solares: devem ser conectadas entre si e ao aterramento para evitar acúmulo de carga elétrica nos módulos;
- Estruturas e trilhos de fixação: toda a parte metálica que sustenta os painéis precisa estar aterrada para garantir continuidade elétrica e segurança;
- Carcaça do inversor fotovoltaico: o inversor deve ser aterrado para proteger seus componentes internos contra surtos e falhas elétricas;
- Quadros elétricos e dispositivos de proteção (DPS): precisam estar conectados ao terra para desviar sobretensões;
- Sistema de equipotencialização: todos os pontos de aterramento devem estar interligados ao sistema principal da edificação, para evitar diferenças de potencial.
O aterramento solar funciona como uma rede de proteção, na qual todos esses elementos trabalham juntos. Por isso, garantir essa integração traz conformidade com as normas técnicas.
Quais são os benefícios do aterramento de energia solar?
Mais do que uma exigência técnica, o aterramento de placa solar contribui diretamente para a segurança, a durabilidade e a eficiência do sistema fotovoltaico.
Ele protege pessoas e equipamentos, estabiliza o funcionamento da instalação e ajuda a preservar o investimento feito em energia solar ao longo dos anos.
- Proteção contra choques elétricos: garante que correntes indesejadas sejam desviadas para o solo, evitando acidentes ao tocar em estruturas metálicas como molduras dos painéis e suportes;
- Prevenção de incêndios: reduz o risco de arcos voltaicos e aquecimento excessivo decorrentes de falhas de isolamento ou correntes de fuga, que estão entre as principais causas de incêndio em sistemas elétricos;
- Proteção contra surtos de tensão: atua em conjunto com os DPS (Dispositivos de Proteção contra Surtos) para preservar o inversor e os módulos diante de descargas atmosféricas e oscilações da rede elétrica;
- Aumento da vida útil dos componentes: minimiza desgastes causados por surtos repetitivos e transientes elétricos, que ao longo do tempo degradam os componentes eletrônicos do inversor;
- Redução de interferência eletromagnética: diminui o ruído elétrico gerado pelo sistema fotovoltaico, evitando interferências em equipamentos sensíveis do imóvel, como roteadores, TVs e dispositivos de comunicação;
- Preservação da garantia dos equipamentos: fabricantes de painéis e inversores condicionam a garantia ao cumprimento das normas técnicas, o que inclui o aterramento adequado;
- Conformidade legal e cobertura de seguro: sistemas fora da norma podem ter o seguro patrimonial invalidado em caso de sinistro elétrico e não conseguem homologação junto à concessionária.
O aterramento não é um item opcional, e sim parte indissociável de uma instalação fotovoltaica bem executada.
Por isso, a Descarbonize Soluções trabalha com engenharia especializada e processos rigorosos de instalação, garantindo que cada projeto atenda às normas técnicas vigentes, o que protege você, seu patrimônio e seu investimento ao longo de toda a vida útil do sistema.
Como é feito o aterramento de placa solar de forma segura?
De modo geral, o aterramento de um sistema fotovoltaico segue cinco etapas principais: análise da estrutura de instalação, equipotencialização das partes metálicas, passagem do cabo de proteção, conexão às hastes no solo e medição da resistência de aterramento.
Essas etapas formam um processo integrado, em que cada fase prepara a seguinte: a análise estrutural define onde o sistema será fixado, a equipotencialização garante que todas as partes metálicas estejam no mesmo potencial, o cabo de proteção conecta essas partes ao sistema elétrico, as hastes dissipam as correntes no solo e a medição final valida toda a instalação.
Todo esse processo exige conexões firmes, livres de corrosão, materiais adequados, projeto elétrico documentado e supervisão de engenheiros ou técnicos qualificados.
Veja a seguir como cada etapa é executada na prática.
1. Análise da estrutura do telhado
O processo começa com a avaliação do local onde o sistema será instalado. No caso de sistemas residenciais e empresariais em telhado, é feita a análise da estrutura para identificar os pontos certos de fixação dos trilhos e definir o caminho do aterramento.
Já em usinas e fazendas solares de solo, a análise é feita no terreno, considerando o tipo de fundação, a resistividade do solo e o posicionamento das hastes de aterramento.
2. Equipotencialização das placas
Nesta etapa, as molduras dos painéis, trilhos e estruturas de fixação são interligados para garantir que todas as partes metálicas fiquem no mesmo potencial elétrico. Esse processo evita diferenças de tensão perigosas entre componentes e assegura que correntes indesejadas sejam conduzidas de forma uniforme pelo sistema.
3. Passagem do cabo de proteção
O cabo de proteção (PE), geralmente de cobre nu ou cobre isolado nas cores verde ou verde e amarela combinadas, conecta as estruturas metálicas ao sistema elétrico da edificação. Esse cabo é responsável por conduzir correntes de falta ou de surto até o ponto de aterramento.
4. Conexão às hastes no solo
O sistema é então conectado às hastes de aterramento instaladas no solo, responsáveis por dissipar as correntes indesejadas no terreno. As hastes geralmente são de aço cobreado e devem estar adequadamente cravadas para garantir contato eficiente com a terra.
5. Medição da resistência de aterramento
Por fim, é realizada a medição da resistência de aterramento, conforme a ABNT NBR 15749. Esse teste valida se o sistema atende aos parâmetros técnicos exigidos e garante que o aterramento funcionará corretamente em caso de falhas elétricas ou descargas atmosféricas.
Quais são as normas técnicas para aterramento fotovoltaico?
No Brasil, o aterramento de sistemas fotovoltaicos é regido por um conjunto de normas técnicas da ABNT que orientam desde o dimensionamento até a execução do projeto. As principais são:
- NBR 16690: norma específica para arranjos fotovoltaicos, com requisitos de aterramento e equipotencialização. Determina, por exemplo, que eventuais eletrodos de aterramento exclusivos do arranjo fotovoltaico sejam interligados ao terminal principal de aterramento da edificação;
- NBR 5410: estabelece as regras gerais para instalações elétricas de baixa tensão, incluindo critérios de equipotencialização e proteção contra choques elétricos;
- NBR 5419: trata da proteção contra descargas atmosféricas (SPDA), fundamental para sistemas fotovoltaicos pelo posicionamento elevado e pela exposição direta às intempéries;
- NBR 16274: define procedimentos de verificação e ensaios em sistemas fotovoltaicos, incluindo testes de continuidade dos condutores de aterramento;
- NBR 15749: especifica os métodos de medição da resistência de aterramento e dos potenciais de superfície do solo.
Em projetos residenciais e empresariais, o aterramento do sistema fotovoltaico precisa estar integrado ao aterramento da edificação, garantindo a equipotencialização entre estruturas metálicas, inversores e módulos.
Qual a diferença entre aterramento e equipotencialização?
Aterramento e equipotencialização são conceitos complementares, mas com funções distintas no sistema fotovoltaico.
O aterramento consiste em ligar as partes metálicas não energizadas do sistema (como molduras dos painéis, estruturas de fixação e carcaça do inversor) ao solo, por meio de condutores e hastes. Sua função é criar um caminho de baixa impedância para que correntes de falta ou de surto sejam dissipadas no terreno.
Já a equipotencialização interliga todas essas partes metálicas entre si, garantindo que estejam no mesmo nível de tensão. Sua função é evitar que existam diferenças de potencial entre componentes, o que, em caso de toque simultâneo em dois pontos do sistema, poderia causar choque elétrico.
Os dois processos atuam de forma integrada: a equipotencialização equaliza os potenciais internos do sistema, e o aterramento direciona as correntes indesejadas ao solo.
É essa atuação conjunta que protege os componentes eletrônicos do inversor, incluindo os circuitos responsáveis pelo MPPT, contra sobretensões e ruídos elétricos que poderiam comprometer o desempenho do sistema.
Aterramento solar mal feito: principais riscos e erros
Segundo o anuário da ABRACOPEL (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade), em 2025 foram registrados 2.322 acidentes de origem elétrica no Brasil, com 725 mortes, uma taxa de letalidade próxima de 31%.
Desse total, 1.304 ocorrências foram incêndios de origem elétrica (geralmente causados por sobrecarga ou curto-circuito), 917 foram choques elétricos (incluindo queimaduras por arco elétrico) e 101 envolveram descargas atmosféricas.
Embora o setor fotovoltaico ainda represente uma parcela pequena dessas estatísticas, falhas técnicas em sistemas mal executados, especialmente no aterramento, podem causar consequências graves, desde queima de equipamentos até riscos à integridade física de pessoas.
Confira os principais erros cometidos em projetos fotovoltaicos:
- Uso de cabos subdimensionados: bitolas menores do que o exigido pela NBR 5410 podem provocar superaquecimento e falha na condução da corrente, especialmente em estruturas expostas ao tempo;
- Falta de aterramento no inversor: aumenta o risco de queima do equipamento por surtos elétricos e descargas atmosféricas, além de invalidar a garantia do fabricante;
- Conexões soltas ou mal executadas: provocam mau contato, perda de eficiência e risco de faíscas, sendo uma das principais causas de incêndio em sistemas fotovoltaicos;
- Ausência de equipotencialização: pode gerar diferenças de tensão perigosas entre as estruturas metálicas no telhado e o inversor instalado abaixo, com risco fatal em caso de descarga atmosférica;
- Aterramento isolado do sistema da edificação: a NBR 16690 exige que o aterramento do arranjo fotovoltaico seja interligado ao terminal principal de aterramento da edificação. Sistemas separados criam diferenças de potencial perigosas;
- Ausência de DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos): sem o DPS adequadamente instalado, sobretensões da rede ou de descargas atmosféricas chegam diretamente ao inversor e aos módulos;
- Instalação incorreta das hastes no solo: hastes mal cravadas ou com contato deficiente reduzem a eficiência do aterramento e comprometem a dissipação das correntes indesejadas.
- Não conformidade com normas técnicas: pode levar à reprovação do sistema pela concessionária, impedir a homologação e invalidar coberturas de seguro.
Com a expansão da energia fotovoltaica no Brasil, garantir que cada etapa da instalação siga normas e boas práticas deixou de ser apenas uma exigência técnica – é uma medida essencial para proteger vidas, patrimônio e o investimento feito pelo cliente.
Por isso, a Descarbonize Soluções, parte do grupo Brookfield e com mais de 420 mil usinas instaladas no Brasil, trabalha com engenharia especializada, equipe técnica própria e processos rigorosos de instalação.
Cada projeto segue as normas técnicas vigentes, com assistência técnica completa após a instalação, entregando segurança, durabilidade e tranquilidade ao cliente.
Como saber se o seu sistema solar foi aterrado corretamente?
Mesmo sem conhecimento técnico avançado, alguns sinais ajudam a identificar se a instalação do aterramento segue boas práticas. Confira os principais pontos a verificar:
- Presença de cabos de aterramento nos trilhos e estruturas: devem ser cabos de cobre, identificados nas cores verde ou verde e amarela combinadas, conectando todas as partes metálicas do sistema. A ausência desses cabos em estruturas metálicas é um sinal de alerta imediato;
- Conexão visível do inversor ao sistema de aterramento: o inversor deve estar ligado ao sistema de aterramento por um cabo identificável. A NBR 16274, que trata da inspeção e comissionamento de sistemas fotovoltaicos, prevê a verificação visual desse ponto;
- Existência de hastes de aterramento no solo: as hastes, geralmente de aço cobreado, devem estar adequadamente cravadas no terreno e conectadas ao sistema;
- Cabos organizados e bem fixados: cabos soltos não são apenas uma questão estética. Eles podem sofrer desgaste mecânico ao longo do tempo e romper o caminho de proteção, sem que o proprietário perceba;
- Projeto elétrico documentado: todo sistema fotovoltaico deve ter um projeto elétrico assinado por profissional habilitado, com diagramas e especificações técnicas;
- ART (Anotação de Responsabilidade Técnica): documento exigido pela Lei 6.496/77, emitido por engenheiro eletricista junto ao CREA, que comprova execução por profissional habilitado e funciona como garantia técnica e jurídica;
- Sistema aprovado pela concessionária: A vistoria da concessionária, prevista no PRODIST (Módulo 3) da ANEEL, verifica se o aterramento está adequado e se o ponto de conexão atende aos requisitos de segurança.
A prova técnica definitiva: o laudo de medição
Os sinais visuais ajudam, mas a confirmação técnica de que o aterramento está correto é dada pelo laudo de medição de resistência de aterramento. O ensaio é feito com um aparelho chamado terrômetro, que mede a resistência elétrica entre o sistema de aterramento e o solo.
Como referência de boa prática, costuma-se considerar adequada uma resistência abaixo de 10 Ω (omega), embora as normas técnicas brasileiras priorizem critérios de segurança específicos para cada tipo de instalação, sem fixar um valor único universal.
Se você tem dúvidas sobre a qualidade do aterramento do seu sistema fotovoltaico, solicite uma avaliação técnica especializada.
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Outro diferencial é a assistência técnica completa: desde o dimensionamento e a homologação do sistema até o suporte pós-instalação, com equipe própria preparada para acompanhar o desempenho da sua usina ao longo dos anos.
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Perguntas frequentes sobre aterramento solar
Qual é o cabo ideal para o aterramento de placa solar?
O cabo ideal para o aterramento de placa solar é o de cobre, geralmente com isolamento nas cores verde ou verde e amarelo, pois oferece alta condutividade elétrica e resistência à corrosão.
O inversor e a placa solar usam o mesmo aterramento?
Sim, o ideal no aterramento da placa solar é que não existam sistemas separados. O inversor e os demais circuitos da instalação devem estar interligados no mesmo sistema de aterramento, seja diretamente ao eletrodo, seja por meio de uma barra de equipotencialização.
Aterramento ruim pode aumentar o consumo de energia?
Não diretamente, mas um aterramento de placa solar mal feito pode afetar o desempenho do sistema e gerar perdas indiretas. Isso acontece porque falhas no aterramento podem causar instabilidades, interferências elétricas e até reduzir a eficiência de equipamentos.
A falta de aterramento solar reprova o projeto na concessionária?
Sim, a ausência de aterramento solar pode levar à reprovação do projeto pela concessionária. Isso porque o aterramento é uma exigência das normas técnicas e de segurança, sendo indispensável para a homologação do sistema fotovoltaico.


